Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 23 de junho de 2017

Conversa de Escritor - Resumo

Convidado: Geovane Fernandes Monteiro
Tema: A gênese de Paradeiro
Dia: 16/09/16
Horário: 19h50


(21:49:58) Geovane Monteiro Obrigado e boa noite e fim de semana a todos. Que todos se debrucem em seus paradeiros...
(21:48:53) Moderador saindo da conversa...
(21:48:27) Moderador Tenham todos um excelente fim de semana.
(21:48:10) Moderador Agradecemos a todos pela participação no bate-papo de hoje, em especial ao escritor Geovane Monteiro. Boa noite! Obrigado!
(21:47:42) Geovane Monteiro A princípio, não comecei a escrever pensando em livro, em publicação. Num período intermitente de sete anos, escrevi vários contos, poesias, crônicas e artigos. Alguns dos contos ficaram por acabar, outros não vingaram, mais outros me instigaram a reescrita até o ponto de dar por “acabado”. Foi quando pensei em uma unidade; fui selecionando os escritos que mais se aproximavam de um ideal da coletânea que mais tarde se chamaria Paradeiro. Eis minha imprecisão tão bem vivida.....
(21:46:17) Moderador entrando na conversa...
(21:42:26) Geovane Monteiro O necessário pode estar na imprecisão, a autoficção pode estar no que não conhecemos ainda em nós. Literatura para mim é provocação, é estar buscando paradeiros...
(21:39:51) Geovane Monteiro Tadeu, eu escrevo com consciência quando da autoficção. Mas depois me vem ideias, sintaxes, imagens que fazem parte do que há de mais secreto em mim...
(21:36:54) Geovane Monteiro Mas me vejo diluído em tudo que escrevo...
(21:36:38) Geovane Monteiro Dilson, a autoficção tem maior lugar no conto Paradeiro e em alguns instantes do conto Travessia. Quero dizer que nessas peças meu pai, o motivo de querer escrever um pouco a partir de mim está mais presente..
(21:34:04) Geovane Monteiro As outras figuras femininas percorrem universos parecidos, em algum momento, ao de Dona Maria...
(21:32:51) Geovane Monteiro Tadeu, a condição da mulher está mais evidente no conto Dona Maria. Ela é uma velha aposentada, pobre e sozinha. O garoto é sua única conexão com a vida. Em todo o conto, vê-se que o mundo de Dona Maria é sua casa e o que está ligado, direta ou indiretamente, a seu lar, seja nas lembranças de quem ali viveu com ela, seja nas visitas constantes do garoto. A partir daí, tem-se a figura das mulheres anônimas, comuns, destinadas exclusivamente ao casamento e aos cuidados domésticos.
(21:32:37) Dílson Lages Que lugar a autoficção tem em sua literatura?
(21:31:38) Tadeu Santos Escrever com consciência é o quê? Todo mundo fala que escreve com consciência, e o que diabo é isso?
(21:30:41) Geovane Monteiro Tadeu, minha maior imprecisão é gostar da imprecisão. Ela me dá liberdade o tempo todo. Literatura é liberdade; nunca é um ponto final...
(21:29:21) Geovane Monteiro Literatura, Robson, é um despreguiçar que envolve vivências empíricas e leituras atraentes a cada um...
(21:27:54) Geovane Monteiro Robson, a arte nunca se preocupou com pressa, com o curto prazo. Isso quando arte vem da alma, e não de interesses imediatos..
(21:26:34) Geovane Monteiro Mas ainda não sei, Dilson, o que melhor me direcionou à minha escrita. Creio que há porcentagens tantas que é perigoso citar nomes...
(21:25:29) Geovane Monteiro Dilson, sobre influências, talvez eu sobra a inertea de toda neófito. Li bastante Jorge Luis Borges, Franz Kafka, Ernest Hemingway, Charles Dickens, Anton Tchekhov, Ezra Pound, Machado de Assis, Cortázar, Lao Tsé , Jane Austen, Clarice Lispector e cia.
(21:23:56) Geovane Monteiro ...no casa da leitura. Um exemplo: como literatura intimista, posso ter chances com indivíduos de qualquer idade, credo ou classe social, desde que mais inclinados a imagens voltadas para o que há de mais fundo no ser humano. Que venham então!
(21:23:02) Geovane Monteiro Carminha, esse clichê é melhor explicado quando consideramos o leitor no mundo, e não o leitor no sentido estritamente cultural. De adolescente a idoso, qualquer um pode aventurar-se ou não na leitura do meu livro, tendo em vista a sensibilidade que se concebe para determinada atividade, no caso a leitura
(21:21:31) Geovane Monteiro Carminha, A resposta, quanto à apreciação da minha obra, é muito relativa. Literatura é, antes de tudo, identidade.
(21:20:29) Dílson Lages Quais leituras foram mais decisivas para a formação de seu estilo?
(21:19:40) Dílson Lages Meu acesso a internet caiu, mas estou retornando...
(21:19:16) Dílson Lages entrando na conversa...
(21:17:04) Robson Por que escrever literatura em um mundo de tanta pressa, com tanta gente preocupada em ganhar dinheiro e fazer patrimônio?
(21:16:35) Geovane Monteiro Tadeu, Eu realmente não escrevi pensando num perfil médio de leitor para meu livro. Meu leitor, creio eu, é aquele que se percebe, em algum grau, na minha obra
(21:15:24) Tadeu Santos Como aparece a condição de mulher em sua obra, para o senhor?
(21:14:52) Geovane Monteiro Continuando: ...durante toda sua vida em Olho D’Água. Isso se dá porque, para nosso personagem maior,Monteiro, ter se separado, saído de casa, da cidade, onde se fixava seus laços sanguíneos não lhe permitiu um desligamento, mas uma insistente recordação às vezes doce, às vezes doída de suas raízes, suas vivências de pai, esposo, funcionário público, cidadão. Olho D’Água era o consolo de estar continuando sua vida ainda presa à Água Branca, o alicerce de sua existência.
(21:13:08) Tadeu Santos Qual sua maior imprecisão?
(21:12:46) Geovane Monteiro fica claro que Monteiro se encontra dividido entre as duas cidades. Água Branca representa a construção de sua vida, enquanto Olho D’Água, o que restou de um homem já velho, aposentado, divorciado e com filhos já crescidos, sem necessitar do comando paterno. A primeira cidade se dá no conto na forma de reminiscências do velho, na forma de um passado ainda presente quando a condição de pai, de esposo, de cidadão aguabranquense ainda ressoa, mesmo que vagamente, durante toda sua vida em Olho D’Águ
(21:12:30) Tadeu Santos Boa noite! Primeira vez que participo do bate-papo. Comprei livro na Entrelivros. Adorei. O senhor se preocupa com o leitor?
(21:11:11) Tadeu Santos entrando na conversa...
(21:10:48) Geovane Monteiro Carminha, nada há de objetivo no meu livro. Eu trabalho com imprecisões...
(21:09:41) Geovane Monteiro Robson, penso na técnica da investigação da alma humana através de conflitos instaurados na psique, de questões espirituais, morais e metafísicas. Minhas motivações para escrever é observar a natureza humana como resposta a fatores externos...
(21:08:48) DilsonLages Interessam em sua literatura os conflitos interiores. Por que fazer deles a matéria da literatura? Seria uma forma de sublimação?
(21:07:17) Carminha Sou sua conterrânea. O que há de objetivo da paisagem de nossa cidade no livro?
(21:05:44) Geovane Monteiro O lugar da ambientação, portanto, é o lugar em que os personagens de repente se chocam...
(21:05:07) Robson Quais são as maiores motivações suas para escrever?
(21:04:35) Geovane Monteiro Dilson , no Paradeiro a ambientação está dentro dos personagens. A pesquisa interior foi meu maior interesse. Então qualquer descrição de algum lugar está a serviço, como pano de fundo, do que há de entranhado na trama dos indivíduos que compôem o Paradeiro...
(21:03:35) Robson entrando na conversa...
(21:01:35) Geovane Monteiro Boa noite, Carminha! Água Branca, apesar de não ter se protagonizado na obra, é o ponto de partida, especialmente para o personagem Monteiro e Dona Maria os quais circundam Água Branca até o máximo de suas profundezas...
(21:00:32) DilsonLages Para você, qual o lugar da ambientação na construção da narrativa literária?
(20:59:29) Geovane Monteiro Não sei até que ponto o hedonismo se evidencia com alguma consciência minha...
(20:58:44) Geovane Monteiro Dilson, Elas compõem justamente a vida comum, posto serem anônimas, com suas vidas organizadas por instituições. O que muda é como cada personagem recepciona dentro de si o que seria um mero dia a dia de um operário, de um jovem de classe média ou de um homem na monotonia de sua velhice, por exemplo. Meu livro se preocupa com a intensificação, quase sempre secreta, de quaisquer acontecimentos, sejam eles de aparência irreversível, socialmente esperado
(20:58:36) Carminha Olá, professor querido. Nossa Água Branca é importante para o senhor escrever?
(20:57:37) Carminha entrando na conversa...
(20:55:57) Geovane Monteiro Isso, porque trata de nossos paradeiros no sentido de estarmos vigorosamente inconclusos e continuados. As personagens vivem seus percursos, suas profundezas faiscantes na estrada. Meu livro pretende chamar a atenção do leitor para um horizonte e suas miragens; horizontes de uma inexatidão sem desesperos ou prévias injustiças, ao contrário, uma inexatidão clara, presente, porque ela mesma. Paradeiro é a vida se realizando num movimento em processo. As personagens estão sempre com novas pergunta
(20:55:31) DilsonLages Seus personagens são marcados pela presença do anseio intenso de hedonismo. Qual o elemento que, para você, melhor explica seus personagens?
(20:53:03) Geovane Monteiro Beatriz, Paradeiro é uma palavra que até então mais se aproxima da essência em cada conto. Refiro-me aos personagens em seus mundos, em seus paradeiros cotidianos, porém, inusitados do ponto de vista das descobertas, das revelações, ainda que silenciadas e protegidas do ritmo diário da vida.
(20:50:31) Beatriz myrna Boa noite! Geovane, porque o título Paradeiro?
(20:46:27) Geovane Monteiro A poesia está para a prosa, como disse Caetano. Não consigo separar uma da outra
(20:44:10) Beatriz myrna entrando na conversa...
(20:37:26) DilsonLages Escritor, o que significa a poesia para sua produçâo em prosa?
(20:35:57) Geovane Boa noite a quem veio, e com algum Paradeiro...
(20:35:36) DilsonLages Boa noite, seja bem-vindo escritor!
(20:34:52) Geovane entrando na conversa...
(20:28:14) DilsonLages entrando na conversa...
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ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
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