Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 23 de junho de 2017

Conversa de Escritor - Resumo

Convidado: Gilberto de Abreu Sodré Carvalho
Tema: A construção do romance histórico
Dia: 16/12/14
Horário: 20h30


(22:35:12) Caroline saindo da conversa...
(22:11:19) Luiz Filho Boa noite, Gilberto.
(22:07:48) Suzy Reis Boa noite, Gilberto.
(22:07:45) Gilberto saindo da conversa...
(22:07:39) Gilberto Boa noite!
(22:07:06) Gilberto Sim, percebi que o Imperador era homem fraco, tíbio e desinteressado. E que o Gama era o oposto. O Gama não gostava de Pedro e o via sem mesuras ou acato. Imaginei isso. A historiografia faz parecer que Pedro era um grande homem mas ele não era bem assim; ao menos é possível vê-lo como eu o vi, a partir de todos os que escreveram sobre o Bragança.
(22:07:06) Gilberto Sim, percebi que o Imperador era homem fraco, tíbio e desinteressado. E que o Gama era o oposto. O Gama não gostava de Pedro e o via sem mesuras ou acato. Imaginei isso. A historiografia faz parecer que Pedro era um grande homem mas ele não era bem assim; ao menos é possível vê-lo como eu o vi, a partir de todos os que escreveram sobre o Bragança.
(22:06:32) Luiz Filho Boa noite, mestre Gilberto.
(22:03:01) Luiz Filho Creio que a cena entre o Gama e o imperador seja uma das suas grandes ficcionadas nO Gama. Onde buscou elementos pra uma cena tão tensa, nos discursos de Luiz contra o Poder Moderador e o imperador?
(22:00:49) Gilberto Boa noite a todos!
(22:00:23) ModeradorEntretextos Agradecemos ao escritor Gilberto de Abreu Sodré Carvalho pela participação no bate-papo de Entretextos. Obrigado a todos que se fizeram presentes. boa noite!
(21:59:21) Gilberto O ficcionista existe na construção dos personagens, ou seja, suas personalidades, seus pensamentos e motivações. O pesquisador apresenta os fatos como eles ocorreram, na imaginação do ficcionista. Os fatos são verdadeiros, a sua comunicação ao leito é que é a ficção.
(21:57:04) Gilberto Suzy, creio que todo tipo de corrupção existente no início do século XVIII ainda ocorre no Brasil. Vivemos no Brasil uma democracia hierarquisada, onde se tem claramente um estamento que governa e pode ter todos os vícios de todas as ordens possíveis. A referência que faço ao papel do ouro no século XVIII, lembra para mim a ameaça que estaríamos vivendo, não fosse o debacle da Petrobrás, com a abundância do petróleo. A riqueza vinda de recursos naturais faz os governos serem corruptos.
(21:56:38) Luiz Filho No Memorial do Ouro e n\'O Gama quanto tem de pesquisador e quanto de ficcionista?
(21:52:09) Suzy Reis Ei, Gilberto, esqueceu minha pergunta? Não é \"especializada\" quanto a do Dilson e a do Luiz, mas é de uma curiosa.
(21:51:48) Gilberto Dilson, o estudo da Inquisição me fez escrever sobre ela. No entanto, ao escrever sobre a Inquisição descobri muito mais do que as pesquisas me informavam. Passei a perceber a rudeza e a agressividade daqueles tempos, inclusive o horror que são as tiranias, como a do rei D.João V.
(21:49:27) Gilberto Luiz, o Gama é um herói perfeito. Tem tudo o que o mito reclama com os seus elementos. A história do Gama é uma história de superação e conquista. O Gama representa o povo negro brasileiro no seu aspecto heróico muito mais que qualquer outro herói popular.
(21:47:11) ModeradorEntretextos Olha para a Santa Inquisição a partir da literatura trouxe ao escritor que tipo de descobertas?
(21:46:38) Luiz Filho Gilberto, aqui, agora, fala o seu revisor, pois gostaria de falar acerca de um livro inédito seu, O Gama. O que o aproximou desse brasileiro tão ilustre, o fato de ser advogado ou é alguma simpatia por essa personalidade tão forte de nosso Luiz?
(21:46:36) Gilberto Caroline, creio que a ficção na forma de romance histórico é uma busca do entendimento do ser humano naquele quadrante de tempo focado pela obra. A ciência é uma poutra forma de buscar o entendimento do homem, refiro-me às ciências sociais. A ficção histórica traz a emoção que é necessária para a percepção dos fatos passados.Observo que a própria historiografia se vale da imaginação para ligar fatos a fatos. Isso é necessário porque o passado não é observável diretamente.
(21:42:36) Caroline Quais os maiores desafios para o escritor de ficção?
(21:42:08) Gilberto Durante o processo de simplificação e articulação da narrativa, continuo a fazer pesquisas sobre o contexto histórico e a descobrir novas nuanças dos meus personagens. Com isso, a simplificação vai se complicando, por vezes, fazendo-me rever novamente o todo da obra, em busca da consistência
(21:41:54) Suzy Reis Li Memorial do Ouro e creio que é um grande livro, que traz aspectos marcantes da corrupção da Coroa portuguesa, principalmente, em relação às práticas sexuais dos conventos. Fazendo uma ponte com a nossa realidade atual, que aspectos desse tipo de corrupção ainda aparecem como \"herança\" em nosso ntre o povo e os \"poderosos\"?país, nas relações e
(21:40:43) Caroline Boa noite, prezado escritor. Sou estudante de sociologia e adquiri seu romance numa livraria aqui no Piauí. Para o senhor, a literatura serve par estudar a sociedade? Essa não seria função da ciência?
(21:38:35) Gilberto Preciso tr para escrever, uma história que eu perceba com importante a ser contada. A partir daí, escrevo o correspondente a umas tres vezes o que vai ser transformado em livro. Vou simplificando e dando verossimilhança a partir de um texto e de uma estrutura complicada, de início. Não sou um escritor inspirado, mas sim, um artesão.
(21:37:23) Caroline entrando na conversa...
(21:35:49) Gilberto Realmente, confirmo que escrevo e reescrevo tudo. O meu texto inicial é quase sempre comp´licado e dependente de uma simplificação que vou fazendo nas incontáveis revisões da minha escrita. Não sou uma pessoa simples de natureza,assim, a simplicidade para mim é uma busca permanente. O básico é eu partir de uma história com início, meio e fim, sobre a qual eu vá construir um texto inteligível e verossímil.
(21:35:26) ModeradorEntretextos Quais rituais ou processos o senhor adota na organização do processo de escritura de um livro?
(21:32:46) ModeradorEntretextos O que o senhor faz para evitar que a linguagem jurídica, já que é um homem das leis, contamine sua produção literária?
(21:31:54) Gilberto Clara é um personagem por quem me apaixonei durante a escrita do livro. Ela me fez perceber a riqueza possível a um personagem tão provocado pelas circusntâncias da sua vida e do seu tempo. Penso que Clara não seja tão enigmática. Talvez ela pareça assim aso olhos amorosos do João. Para ela mesma, creio que ela se sentisse simples, singelíssima, sem qualquer intelectualismos ou nuanças.
(21:31:53) Gilberto Clara é um personagem por quem me apaixonei durante a escrita do livro. Ela me fez perceber a riqueza possível a um personagem tão provocado pelas circusntâncias da sua vida e do seu tempo. Penso que Clara não seja tão enigmática. Talvez ela pareça assim aso olhos amorosos do João. Para ela mesma, creio que ela se sentisse simples, singelíssima, sem qualquer intelectualismos ou nuanças.
(21:28:15) Luiz Filho Pelo que percebi da leitura de Memorial do Ouro, você é um arguto pesquisador. Qual o interesse motivador pela história de uma personagem tão enigmática quanto Clara?
(21:26:00) Gilberto O Memorial do Ouro é a história de um antepassado meu chamado João de Abreu Sodré, a quem chamo no livro de João de Aveleda Soares. Todas as histórias do livro e as pessoas são verdadeiras, com seus nomes verazes. A história é a história do Brasil daquele tempo. Os personagens tiveram mais ou menos aquelas vidas, especialmente o cenário histórico é totalmente correspondente à realidade daquele tempo.
(21:22:46) Suzy Reis Gilberto, \"Memorial do Ouro\" traz algum elemento desse genealogista ou é somente essa vontade de \"reinterpretar a história\"?
(21:21:12) Gilberto O desejo de escrever romance histórico nasceu da minha vontade de interpretar os fatos históricos de uma forma para além do que faz a historiografia em geral. O meu gosto pela genealogia me fez ter facilidade para dar vida aos não mais viventes. A genealogia faz verdadeiras as pessoas de uem não temos mais quaalquer indício físico sobre elas. No romance histórico, isso importa muitíssimo.
(21:18:33) Luiz Filho Tudo bem, Gilberto. E essa fome de fazer romance histórico e de ser \"genealogista amador\" surgiu como?
(21:18:25) Gilberto Boa noite, Suzy.
(21:17:33) Gilberto A ambientação da narrativa é imprescindível no romance histórico. É importante que se contextualize a ação de uma forma inteira. Sem isso, a verossimilhança da argumentação e a verossimilhança dos personagens se perde.
(21:17:05) Suzy Reis Boa noite, Gilberto!
(21:16:12) Suzy Reis entrando na conversa...
(21:15:40) Gilberto Boa noite, Luiz, tudo bem.
(21:15:31) ModeradorEntretextos A ambientação da narrativa é um elemento vital para muitos escritores. Na literatura contemporânea, porém, há quem a desconsidere. Qual o lugar da ambientação para você?
(21:15:15) Gilberto A leituras que fiz para escrever ficção foram de autores de crítica e teoria literária, especialmente norte-americanos. No Brasil, o principal pensador de que gosto é o professor João Cezar de Castro Rocha, da UERG.Tive também em Machado de Assis um bom apoio no que importa ao entendimento psicológico dos personagens. Outro ponto importante a mencionar é que para escrever ficção no gênero romance histórico, é a facilidade do encontro de milhares de narrativas interessantes à disposição.
(21:13:58) Luiz Filho Boa noite, meu caro Gilberto.
(21:12:54) Luiz Filho entrando na conversa...
(21:09:16) Gilberto Não, eu não pensava em escrever ficção quando pesquisei sobre história. A minha primeira ideia foi de entender o Brasil no tempo e compreender os fatos históricos dentro da sua dimensão e interpretação mais comuns. Só com o tempo vi que poderia valer-me do romance histórico para reorganizar as relações de causa e efeito de forma diferente do que a historiografia comum.
(21:07:36) ModeradorEntretextos Para escrever ficção, o senhor se cercou de leituras sobre criação e discurso literário. O que precisamente o senhor elu? Quais conceitos foram importantes para definir uma identidade como escritor?
(21:05:51) ModeradorEntretextos A história tem sido uma grande aliada sua na escritura de ficção? O senhor já pensava em escrever ficçao quando se aventurou pela pesquisa histórica?
(21:04:57) Gilberto A ficção para mim, especialmente no que importa ao romance histórico, é entender os fatos passados e organizá-los de uma maneira nova. Os fatos históricos podem ser relacionados uns aos outros de uma forma nova, trazendo alternativa para o jeito ou a narrativa mais comum praticada pelos historiógrafos.
(21:02:44) Gilberto Para mim, escrever ficção é um trabalho de descoberta do ser humano, que está dentro de mim e aquele com quem convivo.
(21:01:27) ModeradorEntretextos Escritor, fazer ficção representa o que para você? Viver o que a vida cotidiana não materializa?
(21:00:30) ModeradorEntretextos Boa noite!
(21:00:27) Gilberto Dilson, boa noite. Estou aqui à disposição para o nosso bate papo.
(20:59:36) ModeradorEntretextos entrando na conversa...
(20:59:26) Gilberto entrando na conversa...
(20:58:28) pedroma saindo da conversa...
(20:53:48) pedroma Sou o Gilberto. Estou disponível para a conversa com os amigos.
(20:52:44) pedroma entrando na conversa...
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ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
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