• Herculano Moraes
                  Dílson Lages Monteiro e o poder dos símbolos               

                A geração do terceiro milênio já não está apenas ensaiando passo em direção ao futuro, mas fixando com segurança as marcas de estilos que se definem no contexto das letras piauienses.

     

                Dílson Lages Monteiro estreou em 1995, com +Hum – Poemas, refletindo as inquietações da juventude diante do quadro e instabilidade política e social do país, à procura de alternativas para recompor os tecidos necrosados da sociedade.

    Era ainda uma poesia experimental, tímida, de contornos juvenis, engajada, social e lírica.

                Sem perder as motivações iniciais, o poeta retorna com este Colméia de Concreto, retomando a temática, mas projetando uma visão amadurecida dos problemas existenciais, na redescoberta de valores onde a linguagem é o instrumento vivo do discurso poético:

     

                Apenas rejeito o açúcar das rimas

                Que acalenta o suicídio dos mortais.

                                                                           (“Na superfície”)

     

                O laboratório poético o conduz a novas descobertas, à expressão exata, concisa, segura, a consagrar o poema:

     

                Sem que ninguém ouça

                Sou a voz das águas

                Multiplicadas

                Quando o sol fecha a cara

                Com vontade de dormir.

                                                               (“Liberal”)

     

                A poesia do milenismo, como é fácil observar pelo poder de Dílson Lages Monteiro, tem o signo da reconquista e da reconstrução. Debruça-se sobre as perplexidades do tempo vivido, dos paradoxos e dos desencontros, e se prolonga na expectativa do sonho, nas paráfrases da reconstituição da forma e da essência.

                O mito poético não se destrói, mas a natureza criativa do poeta o induz a reconstruir os signos da fala. E então a sua poesia se impõe como fruto da razão construtiva:

     

                Inconscientemente

                Os caminhos cortam o campo.

                                                               (“Incêndio”)

     

                Muito mais do que a projeção dos flagrantes da memória, a poesia de Dílson Lages Monteiro instaura o poder dos símbolos, a metáfora conduzindo o fio da palavra.

                Os temas reproduzem os instantes de inquietação, as dúvidas ocasionais, ao amores nas tardes calorentas de Teresina.

                A expressão poética se impõe pelo domínio do processo laboral.

                E Dílson Lages Monteiro se faz presente na história da literatura, não mais como esperança, mas como uma realidade definitiva.

     

    Herculano Moraes

    Da Academia Piauiense de Letras

    Da Academia de Letras do Vale do Longá

    Da Academia de Letras do Médio Parnaíba

  • José Ribamar Garcia
    "Sua poesia reflete a excitação preocupante da alma humana, numa sociedade de desigualdades sociais. E dos desencontros frustrantes de quem chega antes ou depois – deixando sempre a expectativa de que podia ser possível. E dito numa linguagem objetiva e contundente, mas sem perder a beleza. Daí a graça de sua poesia"
  • Carlos Evandro Martins Eulálio
    "A poesia de Dílson se pauta por um estilo objetivo, direto, substantivo. A sentimentalidade é pulverizada pela subjetividade, o que mostra o trabalho racional e inteligente de sua poesia".
  • Carlos Carvalho

    Os poemas de Dílson Lages deixam transparecer uma"angústia existencial", um desejo incessante de ser, de passar de potência a ato, do sonho à realização.

    O tempo (cronológico) é marcado através do ontem (passado) em busca de uma realização presente ou futura. É a vontade espreitando o fato, é o desejo de voar, de acordar para a vida, de realizar o poema que ainda não foi feito, de viver os sonhos e de encontrar a palavra! Estas vontades latentes não se concretizam, não se tornam realidade, há algo que impede a realização e que o eu-poético não sabe explicar. O que faz com que o destino desista e se reduza ao vazio? Por que o florescer das rosas é interrompido? Tudo é constatado, mas não fica explicado.

    Talvez, a redução do desejo seja causada pelo conflito entre os resquícios de religiosidade que quer aflorar. É o querer pulsando e tentando sugar o máximo do que o dia pode proporcionar. Porém, a sensação de vitalidade e de desejo de mudança perde a força ao entardecer e "o sol fecha a cara", impossibilitando transformações reais.

    Em alguns poemas, a figura feminina aparece de forma ambígua, ou seja como uma deusa e noiva ou como serpente e maliciosa. É a mulher vista como ser com características sacras e profanas.

    Além do que foi dito, muitos detalhes poderiam ser observados nos poemas de Dílson, em função da variedade de cenas que aparecem como retratos do cotidiano, misturados a um "afã interno" composto por dúvidas e insatisfações. Porém, quero enfatizar a sensação do "querer-viver" que é passada para o leitor e a ansiedade que este sente durante todo o livro "Colméia de Concreto", esperando um extravasar, um final hedonista, um grito alucinante que, feliz ou infelizmente, não acontece!

  • Wanderson Lima
    "Seu livro, caro Dílson, agrada-me. Os poemas são bons. Sugestivos, substantivos, concisos, de um poder metafórico que beira o surrealismo e, ainda assim escrito em linguagem simples. Senti que você transpira muito: as imagens surpreendem ao ponto de chocar, as aliterações possuem um alto poder sugestivo, os temas são tratados de maneira insólita e acima das superficialidades."
  • Ronaldo Cagiano
    “É sempre um prazer estético ler coisas boas, feitas com estilo, talento e paixão. Sua obra é um libelo contra esse mundo permeado de inquietações. Trabalho enxuto, sem literatices desnecessárias, calcado num estilo vigoroso, rico em imagens colhidas do cotidiano, através do que o poeta realiza seu canto de exploração dos múltiplos sentimentos e observações humanas. Em meio à proliferação da subliteratura no Brasil, “Colméia de Concreto sobressai, porque resguarda o valor da linguagem, valorizando a literatura naquilo que ela tem de mais sagrado: a comunicação”.
  • Hardi Filho

    “Colméia de Concreto é título adequado para um conjunto de poemas que menos dizem e mais sugerem, ou seja, poemas em linguagem valorizada nos seus múltiplos sentidos. O contrastante fica por conta da cadência, do ritmo e da aparente fragilidade ou tristeza do ser em face do incomensurável.

    Dílson Lages Monteiro vai fazendo os seus poemas às vezes simples pensamentos, de conteúdo variado e clima de virtualidade impessoal ameno, agradáveis ao espírito por favorecerem à compreensão do complexo que é o sentir humano”.

  • Luís Carlos Marques
    “Li alguns poemas de “Colméia de Concreto” e gostei do resultado. Existe algo de paz e tranqüilidade na sua poesia”.
  • Gaitano Antonaccio
    “Parabéns pela gama de poesias ecléticas e pelos temas diversificados, o que tornou o trabalho interessante, sem cansar seus leitores e surpreendendo pelas temáticas”.
  • Fernando PY
    “Colméia de Concreto, de Dílson Lages Monteiro. O poeta possui a vantagem de uma dicção contida, de um quase anti-verso. (...) No todo, para um poeta de apenas 25 anos, o livro é de fato alentador”